quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


                      Escola de ensino infantil
                    A Arte de Brincar e Aprender

A escola dos nossos será construída em Itaquaquecetuba-Sp, e destinada à educação infantil – pré-escola (3 a 5anos) funcionando em período integral, atendendo a comunidade local realizando uma educação inovadora capaz de garantir um futuro melhor aos educandos.

A nossa escola terá um amplo espaço físico, permitindo que os professores prepararem ambientes para que os alunos aprendam de forma ativa através da interação. Adotando um currículo aberto que incorporam de maneira integrada as funções de EDUCAR, CUIDAR E BRINCAR, associadas a padrões de qualidade garantindo a participação ativa das crianças. Incentivando a criatividade, autonomia, e sentimentos de generosidade e solidariedade. Descartando o compromisso estrito com o formalismo da escola. Estando atentas às diferenças culturais e a universalidade do saber, despontando entre um dos temas a valorização ambiental e das relações humanas.

Fomentar a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças pequenas com o objetivo de ajudá-las a progredir na definição da própria identidade, no conhecimento e na valorização de si mesmas é a meta da nossa escola.
            A nossa proposta curricular esta vinculada às características socioculturais da comunidade, na qual nossa instituição esta inserida.
Os professores serão constantemente questionados sobre o desenvolvimento de ações educativas capazes de formar os alunos para a COMPREENSÃO e para a TRANSFORMAÇÃO positiva e crítica da sociedade em que se vive.
Trabalharemos com projetos pedagógicos apresentados de forma multidisciplinar, cuidadosamente laborado para o pleno desenvolvimento do aluno, conforme a faixa etária de cada criança, para que possa vivenciar diversas experiências repletas de significados.
    
A direção gera um clima democrático e pluralista, proporcionando condições para todos os profissionais participarem de momentos de formação como reuniões, palestras, visitas, etc.
As regras na nossa escola são estipuladas em conjunto, pela direção, professores, alunos, funcionários e demais pessoas que frequentam os ambientes escolares.
Os projetos também são construídos em conjunto pelos professores e alunos e as crianças decidem através de plenária onde querem aprender (pátio, sala, biblioteca).
Teremos como principal objetivo contribuir para o crescimento de nossos alunos, respeitando a hora e o momento de cada um, estimulando-os para que possam mostrar o que tem de melhor.

Na escola dos nossos sonhos os alunos terão aula de informática, artesanato, culinária, onde aprenderá à importância de uma alimentação saudável, aulas de horticultura, brinquedo teca parque recreativo, danças, música, piscina, quadra e um grande incentivo ao esporte.


            Ao redor da escola, haverá arvores, horta, pomar, lago e uma mini fazenda em que as crianças terão contato com os animais aprendendo o quanto é importante à preservação das espécies.
Temos em nosso espaço sala de projetos, sala de professores, salas de aula, de direção e secretária. Haverá banheiros adaptados para os pequenos, e também para pessoas com necessidades específicas.

A escola será provida de um estacionamento, que atendera a todos os funcionários.

Todas as crianças terão refeições de qualidade e transportes gratuitos, proverá com segurança 24h por dia.
A nossa escola contará com auxilio de psicopedagogas e psicólogas e as crianças terão acompanhamento dentário.

A escola promovera a inclusão de todas as crianças com necessidades especificas, oferecendo atividades que buscam ampliar tanto o repertório acadêmico, como o emocional e o relacional.

Dentro do nosso projeto pedagógico deverá possuir uma tutoria onde o profissional especializado acompanhará os alunos que necessita de um suporte ainda mais individualizado. Valendo de conceitos pedagógicos que resgatam a autoestima e o prazer em aprender.

Em nossa escola teremos como parte de nossa filosofia a mediação de conflitos educacionais, onde será trazida a visão de Educação pela paz. As diferenças serão aceitas e respeitadas, incentivando-se o uso da comunidade não violenta. Nossa proposta incluirá também o desenvolvimento da consciência coletiva e de cidadania, desenvolvidos através de projetos de ação solidária.




Narrativa Escola dos Sonhos 





Adriano
Alessandra Silva
Cristiane A.M.Reis
Gilene de Souza
Michelli Jevene
Renata A. Capelo
Susimar  R. do N. Basaglia           

Maquete Finalizada















Apresentação - Maria Fedida Wiki













Planta Baixa da Maquete


domingo, 11 de novembro de 2012

APRESENTAÇÃO - "MARIA FEDIDA"


Wiki - Texto coletivo

a) Trechos:
1º Trecho - Resolvida a problemática com as crianças desse tipo de reação propus a elas a questão: Porque a maria-fedida fede? Essa questão foi o disparador para o nosso estudo sobre insetos, que durou um semestre inteiro.
2º Trecho - A própria classe discutiu quanto a qual seria o papel do desenho. “Esse desenho é pra gente saber mais sobre o inseto”.
3º Trecho - Propusemos, então, o trabalho em conjunto, que favoreceu a comparação entre os insetos e a atenção aos detalhes particulares de cada tipo, a troca de técnicas, de modos de desenhar, entre os mais e menos habilidosos, a troca de informações (“presta atenção, aqui do lado do corpo tem um furinho”), enfim, a busca conjunta de um desenho mais apurado e um grande conjunto de questões.
b) Análise dos trechos
Resolvida a problemática, com as crianças desse tipo de reação, propus a elas a questão: Porque a maria-fedida fede? Essa questão foi o disparador para o nosso estudo sobre insetos, que durou um semestre inteiro.
A pedagogia de projeto e a teoria de Vygotsky defende a interação e a troca de experiência, vivendo situações problemas que seja do interesse de todos e o papel do professor como mediador propondo questões relevantes, como no caso, "Porque a maria-fedida fede", cujas respostas foram encontradas por meio de situações que puderam gerar aprendizagem.
Utilizando a proposta de trabalho com pedagogia de projetos, o professor visa encontrar soluções seja para a falta de motivação como fator determinante para a aquisição da aprendizagem e estimulando o aluno a posicionar-se de maneira crítica, criativa, reflexiva e construtiva frente à escola, família e comunidade nas soluções dos problemas.
A mediação da professora é fundamental, pois ao mesmo tempo em que o aluno precisa reconhecer a sua própria autoria no projeto ele também precisa sentir a presença da professora que ouve, questiona e orienta, visando propiciar a construção do conhecimento..
Vygotsky afirma que, os processos mentais humanos, (“as funções psicológicas superiores”) adquire uma estrutura necessariamente ligada aos meios e métodos sócios culturais historicamente formados e transmitidos no processo de trabalho cooperativo e de interação social. Para Vygotsky o homem modifica o ambiente e o ambiente modifica o homem.
Como na Pedagogia de Projetos é necessário “ ter coragem de romper com as limitações do cotidiano, muitas vezes auto impostas, e delinear um percurso possível que pode levar a outros não imaginados. ( Freire e Prado, 1999,p.113).
A própria classe discutiu quanto a qual seria o papel do desenho. “Esse desenho é pra gente saber mais sobre o inseto”.
Assim é na Pedagogia de Projetos que deve permitir que o aluno aprenda-fazendo e reconheça a própria autoria, naquilo que produz por meio de questões investigações que lhe impulsionam a contextualizar conceitos já conhecidos e descobrir outros que surgem durante o desenvolvimento do projeto. Nesta situação de aprendizagem, o aluno precisa selecionar informações significativas, tomar decisões, trabalhar em grupo, gerenciar confrontos de idéias, enfim desenvolver competências interpessoais para aprender de forma colaborativa com seus pares.Com o a Pedagogia do Projeto pode-se potencializar a integração de diferentes áreas do conhecimento, assim como a ciência, a arte...
Fundamentado em Vygotsky, ao longo da história da espécie humana – em que o surgimento do trabalho propicia o desenvolvimento da atividade coletiva, das relações sociais e do uso de instrumentos, as representações da realidade tem se articulado em sistemas simbólicos, isto é, os signos não se mantêm como marcas externas isoladas, referentes a objetos avulsos, nem como símbolos usados por indivíduos particulares. Passam a ser signos compartilhados pelo conjunto dos membros do grupo social, permitindo a comunicação entre os indivíduos e aprimoramento da intervenção social.
Do ponto de vista da aprendizagem, no trabalho por projeto, destaca a possibilidade de o aluno recontextualizar aquilo que aprendeu bem como estabelecer relações significativas entre o conhecimento.
Como a relação do individuo com o mundo para Vygotsky, é mediada pelos instrumentos e símbolos desenvolvidos no interior da vida social, é enquanto ser social que o homem cria suas formações e ações no mundo e as relações complexas entre suas várias funções psicológicas.
Propusemos, então, o trabalho em conjunto, que favoreceu a comparação entre os insetos e a atenção aos detalhes particulares de cada tipo, a troca de técnicas, de modos de desenhar, entre os mais e menos habilidosos, a troca de informações (“presta atenção, aqui do lado do corpo tem um furinho”), enfim, a busca conjunta de um desenho mais apurado e um grande conjunto de questões.
O trabalho proposto em conjunto permitiu um espaço vivo em interações, aberto a troca de opiniões e na hora que a professora formou as equipes, entre os mais e menos habilidosos, pode proporcionar a troca de experiência com os alunos em diferentes tipos de conhecimento, ou seja, promovendo a interação do aluno menos experiente, que se sente desafiado com a ajuda do colega que sabe mais, conseguindo assim, executar o desenho com o mais experiente, que por sua vez se aperfeiçoa ao ajudar o colega conseguindo promover o desenvolvimento mental daquelas crianças, trabalhando, a com a Zona do Desenvolvimento Proximal.
Vygotsky afirma que, a zona de desenvolvimento proximal é a distância entre as práticas que uma criança já domina e as atividades nas quais ela ainda depende de ajuda. E é no caminho entre esses dois pontos que ela pode se desenvolver mentalmente por meio da interação e da troca de experiência.
É através da linguagem que o homem se comunica e, para que essa comunicação seja possível é necessário que sejam utilizados signos (tudo o que é utilizado pelo homem para representar o que está ausente - ex.: palavras, desenhos, etc) No estudo de caso, através da realização dos desenhos, pudemos notar a troca de experiência e de opiniões, oportunidade de comparação dos detalhes entre um desenho e outro, sentimentos de admiração e, tudo isso foi comentado pelas crianças, promovendo um desenvolvimento entre o pensamento e a linguagem.
 Quando os processos de desenvolvimento do pensamento e da linguagem se unem, surgem, então o pensamento verbal, e a linguagem racional, o ser humano passa ter a possibilidade de um modo de funcionamento psicológico mais sofisticado, mediado pelo sistema de símbolos da linguagem. Vygostki afirma que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas por meio da linguagem, mesmo que a criança tenha biologicamente o potencial de se desenvolver, se não interagir não se desenvolvera.
Embasado em Vygotsky, a criança na sua relação com o meio físico e social, que é mediado pelos instrumentos e símbolos desenvolvidos no interior da vida social, o ser humano cria e transforma seus modos de ação no mundo.
ENTENDER E COLOCAR TUDO ISSO EM PRÁTICA ESTAMOS UM PASSO A FRENTE Á ATINGIR A AUTONOMIA INTELECTUAL!!!!
Perguntas pertinentes ao texto pedagogia de projetos e Teoria de Vygostky.
1) Sabendo que pedagogia de projetos é tão enriquecedora, porque algumas escolas não a empregam como sua proposta disciplinar?
2) Na teoria de Vygostsky podemos perceber a importância da interação, a colaboração das crianças e a mediação do educador no processo do desenvolvimento da aprendizagem. Se esta teoria fosse melhor aplicada pelos educadores, será que teríamos tantos problemas nos resultados das avaliações dos educandos?
Referências:
- Gestão e Tecnologias - Pedagogia de Projetos.
- OLIVEIRA, Marta Kohl de Vygotsky Lev S: Aprendizado e desenvolvimento um Processo Sócio Histórico/ ed- São Paulo; Scipione,2010.(Coleção Pensamento e Ação na Sala de Aula).
- Vygotsky Lev S,ORGANIZADOR: Ellen Souberman | Michael Cole | Sylvia Scribner | Vera John-Steiner:TRADUTOR: Luis Silveira Menna Barreto | Jose Cipolla Neto | Solange Castro Afeche: A formação social da mente/ed-São Paulo;Martins Fontes,1991/L.S(Coleção psicologia e pedagogia)
- Vygotski Lev S : Pensamento e Linguagem;Martins Fontes 1996/ Oliveira,Marta Kohl; Vygotsky Lev S: Aprendizagem e desenvolvimento um processo sócio-histórico/ed,São Paulo;Spione,2010.(coleção pensamento em Ação na sala de aula)
- htp://www.tvebrasil.com.br/salto
-http://meuartigo.brasilescola.com/educacao/a-pedagogiaprojetos-novo-olhar-na-aprendizagem.htm
Pesquisa Lev Vygotsky -Revista Nova Escola

Lev Vygotsky, o teórico do ensino como processo social

A obra do psicólogo ressalta o papel da escola no desenvolvimento mental das crianças e é uma das mais estudadas pela pedagogia contemporânea











O O O psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934) morreu há mais de 70 anos, mas sua obra ainda está em pleno processo de descoberta e debate em vários pontos do mundo, incluindo o Brasil. "Ele foi um pensador complexo e tocou em muitos pontos nevrálgicos da pedagogia contemporânea", diz Teresa Rego, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Ela ressalta, como exemplo, os pontos de contato entre os estudos de Vygotsky sobre a linguagem escrita e o trabalho da argentina Emilia Ferreiro, a mais influente dos educadores vivos. A parte mais conhecida da extensa obra produzida por Vygotsky em seu curto tempo de vida converge para o tema da criação da cultura. Aos educadores interessa em particular os estudos sobre desenvolvimento intelectual. Vygotsky atribuía um papel preponderante às relações sociais nesse processo, tanto que a corrente pedagógica que se originou de seu pensamento é chamada de socioconstrutivismo ou sociointeracionismo. Surge da ênfase no social uma oposição teórica em relação ao biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), que também se dedicou ao tema da evolução da capacidade de aquisição de conhecimento pelo ser humano e chegou a conclusões que atribuem bem mais importância aos processos internos do que aos interpessoais. Vygotsky, que, embora discordasse de Piaget, admirava seu trabalho, publicou críticas ao suíço em 1932. Piaget só tomaria contato com elas nos anos 1960 e lamentou não ter podido conhecer Vygotsky em vida. Muitos estudiosos acreditam que é possível conciliar as obras dos dois.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Pesquisa Henry Wallon


PEDAGOGIA

Henri Wallon

Militante apaixonado, o médico, psicólogo e filósofo francês mostrou que as crianças têm também corpo e emoções (e não apenas cabeça) na sala de aula

01/07/0011 19:20
Texto Fernando Tadeu Santos
Nova-Escola
Foto: Wikimedia
Foto: Wallon levou não só o corpo da criança mas também suas emoções para dentro da sala de aula
Wallon levou não só o corpo da criança mas também suas emoções para dentro da sala de aula
Frases de Henri Wallon:

"A criança responde às impressões que as coisas lhe causam com gestos dirigidos a elas"

"O indivíduo é social não como resultado de circunstâncias externas, mas em virtude de uma necessidade interna"


Henri Paul Hyacinthe Wallon nasceu em Paris, França, em 1879. Graduou-se em medicina e psicologia. Fez também filosofia. Atuou como médico na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ajudando a cuidar de pessoas com distúrbios psiquiátricos. Em 1925, criou um laboratório de psicologia biológica da criança. Quatro anos mais tarde, tornou-se professor da Universidade Sorbonne e vice-presidente do Grupo Francês de Educação Nova - instituição que ajudou a revolucionar o sistema de ensino daquele país e da qual foi presidente de 1946 até morrer, também em Paris, em 1962. Ao longo de toda a vida, dedicou-se a conhecer a infância e os caminhos da inteligência nas crianças.
Militante de esquerda, participou das forças de resistência contra
Adolf Hitler e foi perseguido pela Gestapo (a polícia política nazista) durante a Segunda Guerra (1939-1945). Em 1947, propôs mudanças estruturais no sistema educacional francês. Coordenou o projeto Reforma do Ensino, conhecido como Langevin-Wallon - conjunto de propostas equivalente à nossa Lei de Diretrizes e Bases. Nele, por exemplo, está escrito que nenhum aluno deve ser reprovado numa avaliação escolar. Em 1948, lançou a revista Enfance, que serviria de plataforma de novas idéias no mundo da educação - e que rapidamente se transformou numa espécie de bíblia para pesquisadores e professores.

Falar que a escola deve proporcionar formação integral (intelectual, afetiva e social) às crianças é comum hoje em dia. No início do século passado, porém, essa idéia foi uma verdadeira revolução no ensino. Uma revolução comandada por um médico, psicólogo e filósofo francês chamado Henri Wallon. Sua teoria pedagógica, que diz que o desenvolvimento intelectual envolve muito mais do que um simples cérebro, abalou as convicções numa época em que memória e erudição eram o máximo em termos de construção do conhecimento.

Wallon foi o primeiro a levar não só o corpo da criança mas também suas emoções para dentro da sala de aula. Fundamentou suas idéias em quatro elementos básicos que se comunicam o tempo todo: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu como pessoa. Militante apaixonado (tanto na política como na educação), dizia que reprovar é sinônimo de expulsar, negar, excluir. Ou seja, "a própria negação do ensino".

As emoções, para Wallon, têm papel preponderante no desenvolvimento da pessoa. É por meio delas que o aluno exterioriza seus desejos e suas vontades. Em geral são manifestações que expressam um universo importante e perceptível, mas pouco estimulado pelos modelos tradicionais de ensino.
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/henri-wallon-307886.shtml

Pesquisa Revista Nova Escola-Henri Wallon


Henri Wallon, o educador integral

Militante apaixonado, o médico, psicólogo e filósofo francês mostrou que as crianças têm também corpo e emoções (e não apenas cabeça) na sala de aula

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Afetividade 

As transformações fisiológicas em uma criança (ou, nas palavras de Wallon, em seu sistema neurovegetativo) revelam traços importantes de caráter e personalidade. "A emoção é altamente orgânica, altera a respiração, os batimentos cardíacos e até o tônus muscular, tem momentos de tensão e distensão que ajudam o ser humano a se conhecer", explica Heloysa Dantas, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), estudiosa da obra de Wallon há 20 anos. Segundo ela, a raiva, a alegria, o medo, a tristeza e os sentimentos mais profundos ganham função relevante na relação da criança com o meio. "A emoção causa impacto no outro e tende a se propagar no meio social", completa a pedagoga Izabel Galvão, também da USP. Ela diz que a afetividade é um dos principais elementos do desenvolvimento humano.

Wallon na escola: humanizar a inteligência
Diferentemente dos métodos tradicionais (que priorizam a inteligência e o desempenho em sala de aula), a proposta walloniana põe o desenvolvimento intelectual dentro de uma cultura mais humanizada. A abordagem é sempre a de considerar a pessoa como um todo. Elementos como afetividade, emoções, movimento e espaço físico se encontram num mesmo plano. As atividades pedagógicas e os objetos, assim, devem ser trabalhados de formas variadas. Numa sala de leitura, por exemplo, a criança pode ficar sentada, deitada ou fazendo coreografias da história contada pelo professor. Os temas e as disciplinas não se restringem a trabalhar o conteúdo, mas a ajudar a descobrir o eu no outro. Essa relação dialética ajuda a desenvolver a criança em sintonia com o meio.

Pesquisa Revista Nova Escola -Piaget


Conhecimento prévio

Entenda por que aquilo cada um já sabe é a ponte para saber mais

Elisângela Fernandes (novaescola@atleitor.com.br)
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Conteúdo em foco. Foto: Bill. Pesquisa iconográfica Josiane Laurentino
Conteúdo em foco Ainda que não fosse seu objeto de investigação, Piaget(em foto nos anos 1970) inspirou reflexões sobre os conteúdos escolares essenciaispara aprender
Virou quase uma obrigação. Não há (ou pelo menos não deveria haver) professor que inicie a abordagem de um conteúdo sem antes identificar o que sua turma efetivamente conhece sobre o que será tratado. Apesar de corriqueira nos dias de hoje, a prática estava ausente da rotina escolar até o início do século passado. Foi Jean Piaget (1896-1980) quem primeiro chamou a atenção para a importância daquilo que, no atual jargão da área, convencionou chamar-se de conhecimento prévio (leia um resumo do conceito na última página).

As investigações do cientista suíço foram feitas sob a perspectiva do desenvolvimento intelectual. Para entender como a criança passa de um conhecimento mais simples a outro mais complexo, Piaget conduziu um trabalho que durou décadas no Instituto Jean-Jacques Rousseau e no Centro Internacional de Epistemologia Genética, ambos em Genebra, Suíça. Ao observar exaustivamente como os pequenos comparavam, classificavam, ordenavam e relacionavam diferentes objetos, ele compreendeu que a inteligência se desenvolve por um processo de sucessivas fases (leia um trecho de livro na página 3). Dependendo da qualidade das interações de cada sujeito com o meio, as estruturas mentais - condições prévias para o aprendizado, conforme descreve o suíço em sua obra - vão se tornando mais complexas até o fim da vida. Em cada fase do desenvolvimento, elas determinam os limites do que os indivíduos podem compreender.

Dessa perspectiva, fica claro que o cerne de sua investigação relaciona-se à capacidade de raciocínio. Por não estudar o processo do ponto de vista da Educação formal, Piaget não se interessava tanto pelo conhecimento como conteúdo de ensino. Na década de 1960, esse tema mereceu a atenção de outro célebre pensador da Psicologia da Educação, o americano David Ausubel (1918-2008). "Ele foi possivelmente um dos primeiros a usar a expressão conhecimento prévio, hoje consagrada entre os professores", diz Evelyse dos Santos Lemos, pesquisadora do ensino de Ciências e Biologia do Instituto Oswaldo Cruz.

De acordo com Ausubel, o que o aluno já sabe - a ideia-âncora, na sua denominação - é a ponte para a construção de um novo conhecimento por meio da reconfiguração das estruturas mentais existentes ou da elaboração de outras novas. Quando a criança reflete sobre um conteúdo novo, ele ganha significado e torna mais complexo o conhecimento prévio. Para o americano, o conjunto de saberes que a pessoa traz como contribuição ao aprendizado é tão essencial que mereceu uma citação contundente, no livro Psicologia Educacional: "O fator isolado mais importante influenciando a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já sabe. Descubra isso e ensine-o de acordo".

Ao enfatizarem aspectos distintos do conhecimento prévio, as visões de Piaget e Ausubel se complementam. "Para aprender algo são necessárias estruturas mentais que deem conta de novas complexidades e também conteúdos anteriores que ajudam a assimilar saberes", diz Fernando Becker, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

http://revistaescola.abril.com.br/formacao/formacao-continuada/conhecimento-previo-esquemas-acao-piaget-621931.shtml