Muitas vezes confundida com desatenção ou desleixo, dificuldade na escrita afeta cerca de 4% da população e requer tratamento especializado
Letra ilegível, lentidão na escrita e comportamento inquieto nem sempre significam indisciplina na sala de aula. A criança pode ser vítima de um transtorno de aprendizagem conhecido com disgrafia, que afeta a capacidade de escrever ou copiar letras, palavras e números. O distúrbio atinge cerca de 4% da população e não está relacionado a qualquer comprometimento intelectual ou psicológico. É um fato recorrente, que deve ser levado a sério pelos pais e educadores.
De acordo com a pedagoga Eliane Araújo, especialista em Psicomotricidade e em Educação Especial, de Apucarana, o centro do problema está no sistema nervoso, mais precisamente nos circuitos neurológicos responsáveis pela escrita.
Os digráficos têm dificuldade de integração visual-motora, o que dificulta a transmissão de informações visuais ao sistema motor. “A criança vê o que quer escrever, mas não consegue idealizar o plano motor”, explica. O resultado disso é a distorção das letras, com forte pressão do lápis sobre o papel ou pressão muito fraca, além de postura incorreta ao sentar-se.
Conforme Eliane, é comum crianças que entram em avaliação em consultório de reabilitação psicomotora mencionarem já terem ouvido que a sua letra é ruim ou feia. Em outros casos, o problema é confundido com preguiça em escrever. “Com isso, além das dificuldades motoras que podem atingir os grandes e os pequenos músculos do corpo, elas também podem apresentar sinais de baixa autoestima”, diz.
O que muitos não sabem é que boa parte dos disgráficos têm hipotonia (ausência de força muscular não somente na região das mãos, mas também do braço e antebraço) ou hipertonia muscular (excesso de força, tanto na preensão como na pressão do lápis). “A postura estática, sentada, no momento em que a criança escreve, deve ser observada com precisão. Toda inclinação incorreta do tronco e cabeça, com posicionamento irregular do olho para acompanhamento da mão enquanto trabalha, interfere muito no processo do grafismo”, observa a especialista.
Como tratar a disgrafia
A psicóloga Eliane Araújo afirma que a psicomotricidade é um instrumento riquíssimo para auxiliar no tratamento da disgrafia, proporcionando resultados satisfatórios em situações de dificuldades no processo de aprendizagem. “Em relação à parte motora, é necessário haver uma preparação prévia do paciente, com exercícios mais amplos, para depois chegar à escrita”, explica.
A psicóloga Eliane Araújo afirma que a psicomotricidade é um instrumento riquíssimo para auxiliar no tratamento da disgrafia, proporcionando resultados satisfatórios em situações de dificuldades no processo de aprendizagem. “Em relação à parte motora, é necessário haver uma preparação prévia do paciente, com exercícios mais amplos, para depois chegar à escrita”, explica.
Segundo ela, psicomotricidade é a ciência que estuda o homem através do seu corpo em movimento em relação ao seu mundo interno e externo. Antes de aprender a matemática, o português, os conhecimentos formais, o corpo tem que estar organizado, com todos os elementos psicomotores estruturados. “As crianças com distúrbios psicomotores apresentam dificuldades na leitura, na escrita, no cálculo, na fala, falhas em imagem e esquema corporal, noção e posição espacial, orientação tempo espacial, lateralidade, direcionalidade, atenção e memória, equilíbrio e coordenação motora”, diz.
Eliane observa, no entanto, que a disgrafia não compromete o desenvolvimento intelectual, pois geralmente os disgráficos são muito inteligentes e apresentam boa oralidade. A maior dificuldade é exatamente para colocar as ideias no papel.
Assim como outros transtornos de aprendizado, o tratamento da disgrafia é multidisciplinar e envolve psicomotricista, neurologista e fonoaudiólogo.
Fonte: Jornal Tribuna do Norte. Edição de 6 de maio de 2012.

Nenhum comentário:
Postar um comentário